Capítulo Nove
forte>Reunião e Envio dos Discípulos
1. E tendo convocado os seus doze discípulos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar doenças.
2. E Ele os enviou para pregar o reino de Deus, e para curar os doentes.
3. E disse-lhes: "Não levem nada para [a vossa] viagem, nem cajados, nem maços, nem pão, nem prata, nem tenham duas túnicas cada um".
4. E em qualquer casa em que entrares, sobra, e depois sais.
5. E todos quantos não vos aceitarem, quando saírdes daquela cidade, sacudi até o pó dos vossos pés para um testemunho contra eles".
6. E saindo, eles passaram para as aldeias, anunciando o evangelho e curando em todos os lugares.
7. Mas Herodes, o tetrarca, ouviu todas as coisas que foram feitas por Ele, e ficou perplexo, já que foi dito por alguns que João ressuscitou dos mortos;
8. E por alguns, que Elias tinha aparecido; e por outros, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado.
9. E Herodes disse: "João, eu decapitei; mas quem é este de quem eu ouço tais coisas?" E ele procurou vê-lo."
No final do episódio anterior, quando a menina que parecia estar morta foi ressuscitada, Jesus ordenou que seus pais lhe dessem algo para comer. Na Sagrada Escritura, dar a alguém "algo para comer" tem a ver com o alimento espiritual. Não se trata apenas de ensinar, mas também de alimentar espiritualmente uns aos outros com palavras de encorajamento, especialmente quando o nosso encorajamento está de acordo com a verdade espiritual. Na medida em que fazemos isso uns pelos outros, tornamo-nos discípulos e apóstolos de Deus, cooperando com Ele na obra da salvação. Nós somos "discípulos" enquanto estamos em Sua presença, aprendendo da Sua Palavra. E somos Seus "apóstolos" quando estamos sendo enviados para ministrar aos outros, através de nossas palavras e ações.
É apropriado, então, que o próximo capítulo comece com uma descrição de Jesus primeiro chamando seus doze discípulos, e depois enviando-os para ministrar a outros. Como está escrito: "Tendo convocado os Seus doze discípulos, Ele lhes deu poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar doenças. E enviou-os para pregar o reino de Deus e para curar os doentes" (Lucas 9:1-2).
Em um sentido mais profundo, a reunião dos doze discípulos, antes de enviá-los como apóstolos, representa um passo importante em nosso desenvolvimento espiritual. Isto começa quando Jesus "chama os seus doze discípulos juntos" em nós. Esta "chamada conjunta dos discípulos" representa aquele momento da nossa vida em que começamos a compreender mais profundamente os assuntos do espírito. Cada "discípulo" representa um princípio espiritual essencial. À medida que "reunimos" esses princípios em nossas mentes, esforçando-nos para ver como eles coexistem e se relacionam com o todo maior, começamos a ver as conexões entre as idéias, e desenvolvemos um discernimento mais aguçado entre o que é primário e o que é secundário. Como resultado, podemos aplicar a verdade que temos aprendido de forma mais útil em nossas vidas. 1
Depois de reunir os Seus discípulos, Jesus envia-os como Seus apóstolos, dando-lhes instruções específicas para a viagem. "Não tome nada para a sua viagem", diz-lhes Ele. Eles não devem levar um cajado, ou uma mochila, ou pão, ou prata, ou até mesmo uma muda extra de roupa. Cada palavra tem um significado espiritual. Eles não precisarão de um "cajado", porque estarão confiando somente no Senhor. Eles não precisarão de uma "mochila" para guardar o que aprenderam, porque o Senhor lhes dará o que dizer. Eles não precisarão de "pão" ou "prata", porque o Senhor providenciará toda a bondade ("pão") e toda a verdade ("prata") que eles precisam. E não precisarão de uma túnica extra, porque estarão vestidos com a verdade do Senhor, e não precisarão de nada adicional de si mesmos.
Neste caso, menos é mais. Quando há menos de si mesmo, há mais de Deus. 2
> forte> sacudindo a poeira
Jesus então lhes diz: "E em qualquer casa em que entrardes, aí ficareis, e dali saireis". E todos os que não vos aceitarem, quando saírdes daquela cidade, sacudi até o pó dos vossos pés para dar testemunho contra eles" (Lucas 9:4-5). Uma "casa", como já mencionamos antes, representa a mente humana. É o lugar onde pensamos sobre as coisas, consideramos as nossas opções e nos debruçamos sobre aqueles assuntos que são significativos para nós. A nossa "casa", então, é a nossa residência espiritual, o nosso "lugar de residência".
Espiritualmente falando, todos têm um lugar de residência - um conjunto de crenças sobre si mesmos, sobre os outros e sobre Deus. Por causa disso, algumas pessoas aceitarão os ensinamentos dos apóstolos de bom grado, enquanto outras os rejeitarão. Sabendo disso antecipadamente, Jesus lhes diz que se seus ensinamentos forem rejeitados, os apóstolos devem deixar a casa, sair da cidade e "sacudir o pó dos seus pés".
Na Sagrada Escritura, o termo "poeira" se refere a coisas que são baixas e se relacionam com o mundo dos sentidos externos. Assim como o pó se instala na terra, há uma tendência a permanecer focalizado nas coisas que gratificam os nossos sentidos mundanos sem elevar a nossa mente para coisas mais elevadas. Nas Escrituras Hebraicas, isto é representado pela serpente humilde que enganou Eva. Como está escrito: "Então o Senhor Deus disse à serpente: "Porque fizeste isto ... comerás pó todos os dias da tua vida" (Gênesis 3:14). 3
A instrução de Jesus para "sacudir a poeira" é um bom conselho, não só para os apóstolos, mas para cada um de nós. Ao longo da jornada espiritual, enquanto aprendemos a verdade e a colocamos em nossas vidas, podemos, às vezes, nos ver arrastados para baixo - aquelas coisas que são meramente mundanas e temporais. Isto é, espiritualmente, "o pó dos nossos pés". Quer o pó venha através da influência negativa dos outros ou dos pensamentos egoístas que entretemos, Jesus nos diz para "sacudir o pó dos nossos pés", e continuar a nossa jornada. 4
Isto é precisamente o que os apóstolos fazem. Como está escrito no versículo seguinte, "E, saindo, passaram para as aldeias, anunciando o evangelho e curando por toda a parte" (Lucas 9:6).
>forte> Lidar com Herodes
Enquanto os discípulos estão conduzindo suas atividades missionárias, rumores estão se espalhando sobre um profeta que retornou dos mortos. Alguns dizem que Elias voltou a aparecer. Alguns dizem que um antigo profeta voltou à vida. E alguns dizem que João Batista, a quem Herodes decapitou, ressuscitou dos mortos (Lucas 9:7-8). Tudo isto é muito preocupante para Herodes que é descrito como sendo "perplexo" (Lucas 9:7). “João eu decapitei", diz Herodes, "mas quem é este sobre quem eu ouço tais coisas?" (Lucas 9:9).
Herodes está especialmente perplexo porque ouve que João Batista, a quem ele decapitou, pode estar vivo novamente e que Jesus está fazendo milagres. Tudo isso é uma ameaça para Herodes. Em um nível mais profundo, João Batista representa o significado literal da Palavra, e Jesus representa o sentido espiritual da Palavra. Quando entendida corretamente, combinando a letra e o espírito, a Palavra pode nos encher de bondade e verdade. Essas qualidades e seus derivados - bondade, misericórdia, perdão, generosidade, compreensão e amor - não só são perplexas para os demônios do inferno, mas também trazem tormento. Da mesma forma, Herodes, que representa o mal no coração humano, está perplexo e atormentado. Isso porque os espíritos maus não suportam estar perto da bondade e da verdade. Quando estão na presença dessas qualidades celestiais, sentem-se atormentados e lutam para escapar. É assim que os espíritos malignos se lançam no inferno. 5
Herodes já decapitou João, o sentido literal da Palavra. Agora ele está determinado a ir atrás de Jesus - o sentido espiritual da Palavra. Como está escrito, Herodes "procurou vê-lo" (Lucas 9:9). Jesus, no entanto, está tranquilo. Como veremos no próximo episódio, Jesus continua concentrado na Sua missão e continua a fazer os Seus milagres.
forte>Alimentação Espiritual
10. E, tendo voltado, os apóstolos Lhe disseram tudo o que tinham feito; e, levando-os, partiu sozinho para um lugar deserto da cidade chamada Betsaida.
11. E as multidões, sabendo-o, O seguiram; e, tendo-os recebido, falou-lhes do reino de Deus, e curou os que tinham necessidade de cura.
12. E o dia começou a declinar; e os doze que vinham disseram-lhe: "Manda a multidão embora, para que, indo para as aldeias e campos ao redor, descansem e encontrem provisões; porque aqui estamos num lugar deserto".
13. Mas Ele disse-lhes: "Dai-lhes vós de comer." Mas eles disseram: "Não temos mais que cinco pães e dois peixes, se não formos comprar comida para todo este povo."
14. Pois eles eram cerca de cinco mil homens. E Ele disse aos Seus discípulos: "Façam-nos reclinar-se [em grupos] reclináveis até aos cinquenta anos".
15. E fizeram-no, e mandaram-nos todos reclinar-se.
16. E, tendo tomado os cinco [pães] e os dois peixes, olhando para o céu, abençoou-os, partiu-se, e deu aos discípulos para que se pusessem diante da multidão.
17. E comeram, e ficaram todos satisfeitos; e foram-lhes tirados [do] seu excesso de fragmentos doze cestos.
O alimento espiritual é absolutamente essencial ao longo da jornada de desenvolvimento espiritual. Sem ele enfraqueceremos; nossos sonhos e aspirações começarão a desvanecer-se; nossas esperanças diminuirão; e experimentaremos algo semelhante à morte espiritual. Podemos sentir, como os discípulos fizeram durante a tempestade de vento que sacudiu seu barco, que estamos "perecendo" (Lucas 8:24). Como a filha de Jairus, precisamos de ser alimentados espiritualmente para que possamos permanecer vivos. É por isso que Jesus disse aos pais dela para "dar-lhe algo para comer" (Lucas 8:55).
Neste próximo episódio, nos é dada uma dramática ilustração do que é a "alimentação espiritual", como ela pode ser feita e por que é tão importante. Começa com Jesus chamando seus discípulos - agora "apóstolos" - novamente juntos depois de suas aventuras missionárias. Como está escrito: "E os apóstolos, quando voltaram, disseram-Lhe tudo o que tinham feito. E Ele os tomou e foi para um lugar deserto em particular" (Lucas 9:10).
Jesus leva-os a um "lugar deserto" para ilustrar uma grande verdade espiritual. Um "lugar deserto" representa uma condição espiritual na qual pouco está crescendo. Em termos espirituais, esta descrição corresponde à ausência de verdade e bondade em nossas vidas. É um tempo de desolação espiritual, um tempo em que sentimos que temos uma necessidade desesperada de alimento espiritual. É para este "lugar deserto" que Jesus e seus discípulos vão agora, "mas quando as multidões o souberam, O seguiram; e Ele os recebeu e falou-lhes do Reino de Deus, e curou aqueles que tinham necessidade de cura" (Lucas 9:11). Esta terna imagem mostra como Deus nos cura quando chegamos a Ele, mesmo no meio do nosso vazio e desolação. 6
Os discípulos, porém, não entenderam completamente o que estava acontecendo. Ainda operando sob um princípio de escassez, eles temiam que não houvesse comida suficiente para alimentar a todos, especialmente porque eles estavam em um lugar deserto. Por isso, disseram a Jesus: "Manda as multidões embora, para que vão para as cidades e campos vizinhos, e se hospedem e recebam provisões; pois aqui estamos em um lugar deserto" (Lucas 9:12).
Jesus, porém, não está disposto a mandar ninguém embora. Em vez disso, Ele diz: "Você lhes dá algo para comer" (Lucas 9:13). Os discípulos estão confusos. Afinal, estavam lá cerca de cinco mil pessoas, e os discípulos não sabem como podem alimentá-los a todos. Então, eles dizem a Jesus: "Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a menos que vamos comprar comida para toda essa gente" (Lucas 9:13). Jesus transforma esta situação em uma oportunidade para ensinar outra lição espiritual. Embora seja verdade que os apóstolos não têm muito, apenas cinco amores e dois peixes, Deus pode trabalhar com o que temos e com o que estamos dispostos a dar. Como "pão" (por causa de sua suavidade e calor) representa o amor, "cinco pães" representa uma pequena quantidade de amor". Da mesma forma, como "peixe" (porque está associado à propriedade purificadora da água) representa a verdade, "dois peixes" representa uma pequena quantidade de verdade. Em outras palavras, eles não tinham muito bem e verdade, ou amor e sabedoria - apenas um pouco. Mas isso é tudo o que Deus precisa para produzir grandes milagres. 7
A lição é profunda: quando nos encontramos em um estado de espírito desolado, ainda podemos trazer a Deus qualquer remanescente de bondade e verdade que tenhamos, por menor que seja, e Deus o abençoará e o multiplicará para que possamos ser alimentados espiritualmente. Isto é o que Jesus ilustra agora. Como está escrito: "Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os e partiu-os, e deu-os aos discípulos para que os pusessem diante da multidão. Assim, comeram e se encheram, e doze cestos dos restos foram recolhidos" (Lucas 9:16-17).
A imagem de Jesus olhando para o céu e abençoando o alimento é uma imagem da vida de oração - o momento da consagração quando humildemente pedimos a Deus para entrar em nossas vidas com a Sua presença, enchendo nossos corações com o Seu amor, e nossas mentes com a Sua sabedoria. Em seguida, Jesus dá o pão e o peixe aos discípulos e pede-lhes que o distribuam às multidões. Isto representa a forma pela qual Deus chama cada um de nós para transmitir aos outros o que Ele nos deu. Só precisamos dedicar a Ele o pouco que temos, e Ele o abençoará abundantemente. Isto é ilustrado pelo fato de que todos foram completamente alimentados, tanto que "sobraram doze cestas". 8
>forte>Os Riscos do Discipulado
18. E aconteceu que, enquanto Ele orava sozinho, os discípulos estavam com Ele; e Ele perguntou-lhes, dizendo: "Quem dizem as multidões que eu sou?
19. E eles responderam: "João Batista; mas outros [dizem] Elias; e outros que um dos antigos profetas ressuscitou".
20. E Ele disse-lhes: "Mas quem dizeis vós que eu sou?" E Pedro, respondendo, disse: "O Cristo de Deus."
21. E Ele admoestou-os, [e] encarregou-os [a eles] de não dizer isto a ninguém,
22. Dizendo que o Filho do Homem deve sofrer muitas coisas e ser rejeitado pelos anciãos e principais sacerdotes e escribas, e ser morto, e ao terceiro dia ser ressuscitado.
23. E disse a todos: "Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente, e siga-me".
24. Porque qualquer que quiser salvar a sua alma, perdê-la-á; mas qualquer que perder a sua alma por amor de mim, salvá-la-á.
25. Pois de que aproveitará ao homem, se ganhar o mundo inteiro, mas perder-se a si mesmo, ou ser privado [da sua alma]?
26. Porque qualquer que se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória dele, e do Pai, e dos santos anjos.
27. Mas eu vos digo verdadeiramente: Há alguns dos que aqui estão, que não provarão a morte até verem o reino de Deus".
No episódio anterior, pouco antes de distribuir os pães e os peixes, está escrito que "Jesus olhou para o céu" antes de abençoar e partir o pão (Lucas 9:16). Na cultura judaica, a dedicação do pão antes de uma refeição é uma forma de oração. É uma expressão de gratidão a Deus que faz brotar o pão da terra. Ao longo do Evangelho de Lucas tem havido uma forte ênfase na oração. Ela começa com Zacarias em oração enquanto se está no templo (Lucas 1:9-13). Somente em Lucas é mencionado que Jesus está em oração durante o Seu batismo (Lucas 3:21); e só em Lucas é que se diz que antes de Jesus indicar os seus discípulos, Ele "continuou toda a noite em oração" (Lucas 6:12).
Não é surpreendente, então, que em um evangelho que se concentra na fé, compreensão e oração, o próximo episódio comece com uma imagem de Jesus em oração. Como está escrito: "E aconteceu quando Ele estava orando sozinho, que seus discípulos se juntaram a Ele, e Ele lhes perguntou, dizendo: 'Quem as multidões dizem que eu sou? (Lucas 9:18). Eles dizem a Jesus que algumas pessoas pensam que Ele é João Batista, enquanto outros pensam que Ele é Elias. Outros ainda dizem que Ele é "um dos velhos profetas que ressuscitou" (Lucas 9:19).
De acordo com outros, não há nada de especialmente divino em Jesus. Alguns pensam que ele pode ser o profeta Elias, que também fez milagres em tempos passados. Outros pensam que ele pode ser João Batista ou um dos antigos profetas que voltou à vida. Jesus faz então a pergunta mais importante. Não é uma pergunta sobre o que os outros pensam. É uma pergunta sobre o que os discípulos pensam, especialmente porque estão próximos a Ele há algum tempo e têm aprendido com Ele. Eventualmente, cada um de nós chegará à mesma encruzilhada em nosso caminho de fé. Chega o momento em que devemos nos perguntar não: "O que dizem as multidões sobre Jesus", mas sim "O que eu digo sobre Jesus". E Jesus diz aos seus discípulos: "Mas quem dizeis vós que eu sou?" (Lucas 9:20). Sem hesitação, Pedro responde e diz que Jesus é "o Cristo de Deus" (Lucas 9:20).
Jesus não confirma nem nega o comentário de Pedro. Mas a Sua resposta implica que Pedro respondeu corretamente. "Não digas isto a ninguém" diz Jesus aos Seus discípulos (Lucas 9:21). Este é o segredo messiânico, e é um segredo por uma razão. As pessoas devem decidir por si mesmas. Cabe a cada indivíduo decidir onde está a questão da identidade de Jesus, e se deve ou não segui-lo. Se decidirmos segui-Lo e sermos guiados pela Sua verdade, Jesus quer que saibamos antecipadamente que não será fácil. Descrevendo-se como "o Filho do Homem", Ele diz que "o Filho do Homem deve sofrer muitas coisas e ser rejeitado pelos anciãos e chefes dos sacerdotes e escribas, e ser morto, e ao terceiro dia ressuscitar" (Lucas 9:21).
No sentido literal, esta afirmação é uma previsão da crucificação e ressurreição de Jesus. Mais profundamente, descreve como as pessoas vão tratar a verdade divina que Jesus veio para ensinar. Embora eles a rejeitem e tentem destruí-la, ela ressuscitará nos corações humanos. 9
Este processo de crucificação e ressurreição tem lugar em cada um de nós. Cada vez que aprendemos uma nova verdade (receber o "Filho do Homem") e nos esforçamos para colocá-la em nossa vida, podemos esperar ser desafiados por dúvidas e inseguranças. Esses desafios surgem quando os espíritos maus se recusam a renunciar ao seu domínio sobre nós. É isso que Jesus quer dizer quando diz que o Filho do Homem "deve sofrer muitas coisas". Esses ataques tomarão a forma de raciocínios e racionalizações inteligentes, de justificações e desculpas que nos dizem que a luta não vale a pena e que seria muito mais fácil simplesmente desistir e voltar aos nossos velhos caminhos. Estas são as mentiras sutis e sinistras que são produzidas por espíritos malignos dentro de nós, significadas pelos "anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas". Assim, nós "sofreremos muitas coisas".
A luta para nos mantermos firmes, permanecendo fiéis ao que acreditamos e vivendo de acordo com ele, é a nossa "cruz". Se clamarmos a Deus em oração, perseverarmos na verdade e nos recusarmos a sucumbir às ordens da nossa natureza inferior, a verdade em nós será fortalecida. Ela "se elevará" dentro de nós. É a isto que Jesus se refere quando diz que "o Filho do Homem se levantará" no terceiro dia". É a nossa ressurreição espiritual.
Esta é a jornada que cada um de nós deve fazer no curso da regeneração, e Jesus deixa claro que esta jornada será acidentada. Envolverá a vontade de adiar velhos hábitos, abandonar atitudes arraigadas e morrer espiritualmente para antigas formas de pensar e sentir. Em resumo, Jesus está nos exortando a negar nossas velhas maneiras de viver e começar uma nova vida. Como Jesus diz: "Se alguém deseja vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente e siga-me". Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por amor de Mim, salvá-la-á" (Lucas 9:24).
Nestas palavras, Jesus explicita que aqueles que optam por segui-lo devem estar dispostos a renunciar a desejos egoístas, hábitos destrutivos e tudo o que está associado a formas mecânicas e egoístas de pensar e responder. Pode parecer uma morte, e a luta pode ser dolorosa, comparável às vezes ao que Jesus estava prestes a enfrentar na cruz. Além disso, este não será um acontecimento único. Como diz Jesus: "Que ele tome a sua cruz diariamente".
Jesus levanta então uma questão importante. Ele pergunta: "Para que vantagem é que uma pessoa ganha o mundo inteiro e é destruída ou perdida?". Jesus acrescenta então: "Porque quem se envergonhar de Mim e das Minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do Homem quando vier na Sua própria glória, e na de Seu Pai, e dos santos anjos" (Lucas 9:25-26). Em outras palavras, um verdadeiro discípulo manifestará uma fé corajosa, uma fé sem medo e sem vergonha, uma fé que declarará corajosamente a verdade e viverá de acordo com ela. Além disso, Jesus promete que aqueles que manifestarem essa fé em palavras e obras verão o reino de Deus antes de morrer. Como diz Jesus, "Há aqui alguns que não provarão a morte até verem o reino de Deus" (Lucas 9:27).
Esta idéia, de que Deus viria à Terra através de um Messias prometido, estava muito na vanguarda da consciência das pessoas. O comentário de Jesus de que "eles não provariam a morte" antes da vinda do reino deve ter reforçado sua crença de que o reino estava chegando em breve - um evento muito esperado. Isso era uma boa notícia, especialmente porque eles ansiavam por um Messias que derrotasse seus inimigos, estabelecesse a paz e trouxesse prosperidade econômica. O que eles não perceberam, contudo, foi que o Messias já estava lá, no meio deles, oferecendo-lhes o Reino de Deus. Para aqueles que permanecessem fiéis, assumindo sua cruz diariamente, tornar-se-ia claro que a promessa de Jesus era verdadeira. Eles veriam que o Reino de Deus já tinha vindo à terra, mesmo quando ainda estavam vivos.
O reino que Jesus disse que viria durante a vida deles não seria físico. Não seria um reino de segurança militar e prosperidade econômica; ao contrário, seria um reino espiritual oferecendo segurança dos inimigos espirituais (através do recebimento da verdade Divina que Jesus ensinou) e prosperidade espiritual (através do recebimento do amor Divino que Jesus compartilhou).
Isto é o que significa "ver" o reino de Deus. 10
"Ouça-o"
28. E aconteceu cerca de oito dias depois destas palavras, que levando Pedro, João e Tiago, Ele subiu a uma montanha para orar.
29. E aconteceu, enquanto Ele orava, que a aparência do Seu rosto foi mudada, e a Sua veste [era] branca [como] um relâmpago.
30. E eis que dois homens falaram com Ele, que eram Moisés e Elias,
31. Quem, sendo visto em glória, falou de Sua partida que Ele estava prestes a cumprir em Jerusalém.
32. E Pedro e os que estavam com ele estavam dormindo muito; e, estando acordados, viram a Sua glória e os dois homens que estavam com Ele.
33. E sucedeu que, estando eles separados dEle, disse Pedro a Jesus, Mestre, é bom para nós estarmos aqui; e façamos três tabernáculos, um para Ti, outro para Moisés, e outro para Elias; não sabendo o que ele disse.
34. E quando ele dizia estas coisas, havia uma nuvem, e ela os ofuscava; e temiam ao entrarem na nuvem.
35. E uma voz saiu da nuvem, dizendo: Este é o meu Filho amado; escutai-o.
36. E, quando a voz veio, Jesus foi encontrado sozinho; e, calados, não relataram a ninguém naqueles dias nada do que tinham visto.
Quando começa o próximo episódio, Jesus está, mais uma vez, em oração. Como está escrito: "E aconteceu, cerca de oito dias depois destas palavras, que Ele tomou Pedro, João e Tiago e subiu a uma montanha para rezar" (Lucas 9:28). Como temos assinalado, o Evangelho de Lucas está cheio de exemplos de Jesus em oração. Neste caso, por exemplo, lemos que "enquanto Ele orava, a aparência do Seu rosto foi alterada, e o Seu manto ficou branco e resplandecente" (Lucas 9:29).
Este momento da história bíblica, quando Jesus revela a sua identidade divina no topo da montanha, é conhecido como a "Transfiguração". Enquanto também é registrado em Mateus (Mateus 17:1-2), e em Mark (Marcos 9:2-3), Só em Lucas é mencionado que tudo isso aconteceu enquanto Jesus rezava.
Enquanto Jesus reza, mudanças profundas acontecem. Não só o Seu rosto é alterado, e o Seu manto começa a brilhar, mas enquanto Ele está em oração, o mundo espiritual se abre para Ele. Como está escrito no versículo seguinte, "Então, eis que dois homens falaram com Ele, que eram Moisés e Elias, que apareceram em glória e falaram de Sua morte que Ele estava prestes a realizar em Jerusalém" (Lucas 9:30-31). “Moisés" e "Elias" representam a lei e os profetas - a totalidade das Escrituras Hebraicas, e especialmente as profecias sobre a vinda do Messias, Sua morte, e Sua ressurreição. Na profundidade de Sua oração, ao ser elevado ao espírito, é dada a Jesus uma visão clara de que Ele realmente tinha vindo para cumprir as profecias messiânicas.
Pedro, João e Tiago também estão com Jesus, mas eles ainda não vêem a visão porque estão "pesados de sono" (Lucas 9:32). Mas, por fim, eles despertam e, quando chegam a um estado de maior consciência, vislumbram Moisés e Elias falando com Jesus. Além disso, eles também ouvem uma voz dizendo: "Este é o Meu Filho amado". Ouçam-no" (Lucas 9:35).
Esta é a segunda vez que uma voz do céu fala neste evangelho. A primeira vez foi na ocasião do batismo de Jesus. Naquela ocasião, a mensagem foi dirigida diretamente a Jesus: "Tu és o meu Filho amado", dizia. "Em Ti estou bem contente" (Lucas 3:22). Desta vez, no entanto, a mensagem é dirigida aos discípulos: "Este é o meu amado Filho. Ouçam-no."
Podemos imaginar o efeito que isto deve ter tido sobre os discípulos. Jesus tinha acabado de lhes dizer que, se queriam segui-Lo, deviam estar dispostos a negar-se, mesmo que isso significasse "perder a própria vida". Isto é às vezes referido como "o custo do discipulado". Não é uma decisão fácil. Mas o milagre no topo da montanha - a visão de Moisés e Elias falando com Jesus, e a voz do céu proclamando que Jesus é realmente o Filho de Deus - deve ter dado a eles uma profunda certeza de que sua decisão de seguir Jesus foi a decisão certa. Além disso, a voz do céu era para eles, e não poderia ter sido mais clara. Ela dizia, muito simplesmente: "Ouçam-no".
É interessante que a voz do céu não tenha dito "Ouve-os". Afinal de contas, Moisés e Elias também tinham estado presentes. Pedro, de fato, ficou tão emocionado com a visão que disse a Jesus: "Façamos três tabernáculos; um para ti, outro para Moisés, e outro para Elias" (Lucas 9:33). À sua maneira, Peter estava a tentar expressar a sua maravilha e admiração. Para Pedro, os três tabernáculos honrariam igualmente três grandes profetas: Jesus, Moisés, e Elias. Mas Jesus era mais do que um profeta; a voz do céu tinha dito: "Ouçam-no". De agora em diante, a compreensão humana da Lei (Moisés) e a compreensão humana dos Profetas (Elias), seriam substituídas pela Boa Nova do evangelho - o que Jesus disse e fez. Somente em Jesus se encontraria a compreensão e interpretação adequadas das Escrituras Hebraicas. E é por isso que a voz do céu não dizia: "Ouvi-os". Em vez disso, ela se concentrava em Jesus. "Este é o Meu Filho amado", disse ela. "Ouçam-no."
Quando o episódio chega a uma conclusão, a voz cessa, e a visão desaparece. Como está escrito, "Jesus foi encontrado sozinho" (Lucas 9:36). Neste momento, os discípulos sentem a diferença entre a sua humanidade e a divindade de Jesus. Podem ainda não ser capazes de articulá-la ou mesmo compreendê-la, mas percebem que algo sagrado aconteceu. É algo em que terão que pensar e refletir antes de compartilhar sua experiência. E assim, está escrito que "Eles ficaram calados, e não contaram a ninguém naqueles dias nenhuma das coisas que tinham visto" (Lucas 9:36).
"Deixe estas palavras afundarem-se nas suas orelhas"
37. E aconteceu no dia seguinte, quando desceram da montanha, [que] uma multidão de muitos O encontrou.
38. E eis que um homem da multidão clamou dizendo: Mestre, peço-Te, olha para o meu filho, porque ele é o meu único filho.
39. E eis que um espírito o toma, e de repente clama; e ele o convulsiona com espuma, e grosseiramente se afasta dele, ferindo-o.
40. E pedi aos Teus discípulos que o expulsassem, e eles não puderam.
41. E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e terei paciência para convosco? Trazei aqui o vosso filho.
42. E quando ele ainda estava chegando, o demônio o rasgou e o convulsionou; mas Jesus repreendeu o espírito impuro, e curou o menino, e o devolveu a seu pai.
43. E todos eles se perguntavam sobre a grandeza de Deus. E enquanto todos se maravilhavam com tudo o que Jesus fazia, Ele disse aos seus discípulos,
44. Ponde estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens.
45. Mas eles ignoravam esse ditado, e lhes era oculto que não o compreendessem; e temiam perguntar-Lhe a respeito desse ditado.
A experiência do topo da montanha deve ter tido um efeito profundo sobre os discípulos. Eles tinham visto Moisés e Elias; tinham ouvido uma voz do céu; e receberam instruções claras: "Ouçam-no."
Incapazes de compreender a importância total do que tinham visto, eles "ficaram calados" e não contaram a ninguém. Em nossos estados no topo da montanha, nós, como os discípulos, vislumbramos algo da divindade de Jesus. É uma bênção que vem a cada um de nós enquanto nos esforçamos para ascender em nossa compreensão. Ao fazê-lo, adquirindo conhecimento sobre Deus através da Palavra, e aplicando-o em nossas vidas, Deus desce em nossa compreensão com esclarecimento e ilustração. Em resumo, enquanto ascendemos para encontrar Deus, Deus desce para nos encontrar. 11
Esta imagem dos discípulos no alto da montanha, na presença de Jesus transfigurado, abre o caminho para uma compreensão do que está prestes a acontecer no próximo episódio. Como está escrito: "Agora aconteceu no dia seguinte, quando desceram da montanha, que uma grande multidão os encontrou". De repente, um homem da multidão gritou, dizendo: 'Mestre, imploro-te, olha para o meu filho, porque ele é o meu único filho'" (Lucas 9:38). Aparentemente, a criança estava possuída por um espírito que o levou a ter convulsões violentas que fizeram o menino espumar na boca e se machucar. O pai do menino tinha pedido aos discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não foram capazes de o fazer. Então, o homem vem a Jesus, implorando por ajuda. "Eu implorei aos teus discípulos que o expulsassem", diz o pai, "mas eles não conseguiram" (Lucas 9:40).
Jesus responde dizendo: "Ó geração infiel e perversa, até quando estarei contigo e terei paciência contigo? Então Ele volta-se para o pai e diz: "Traz o teu filho aqui" (Lucas 9:41). No início deste capítulo, os discípulos receberam o poder de expulsar demônios e de curar doenças. De fato, "Eles passaram pelas cidades, pregando o evangelho e curando por toda parte" (Lucas 9:6). O que tinha sido feito do ministério deles? Por que estavam agora sem poder para expulsar um espírito de um rapaz possuído por demónios? O que tinha mudado? E por que Jesus repreendeu os discípulos por seu fracasso, chamando-os de "geração infiel e perversa"?
Embora uma resposta específica não seja dada no texto, pode ser que a sua confiança tenha sido abalada pela recente descrição de Jesus do que seria segui-Lo. Enquanto eles imaginavam que estavam se tornando ricos, famosos e populares, Jesus pintou um quadro muito diferente de discipulado. Envolveria a vontade de lutar e negar-se a si mesmo, de tomar a sua cruz diariamente, e até estar pronto para perder a sua vida.
Isto deve ter-lhes causado uma dúvida considerável na mente. Deve tê-los feito parar e perguntar a si mesmos: "Vale a pena? Vale a pena morrer por isso?" Mesmo os três discípulos que tinham estado no topo da montanha com Jesus não experimentaram necessariamente a extraordinária visão e voz do céu de uma forma que fortaleceu a sua determinação de serem discípulos. Para ter certeza, enquanto estavam no topo da montanha, testemunhando a transfiguração de Jesus e ouvindo uma voz do céu, eles devem ter sentido a certeza de que seguir Jesus, e ouvi-lo, era a coisa certa a fazer.
Mas os estados mudam. Ao "descerem" da montanha, velhas dúvidas podem ter começado a ressurgir. O caminho que Jesus estava trilhando não era um caminho que eles tivessem imaginado. O que Jesus estava descrevendo era bem diferente da glória e honra, riqueza e prosperidade que se esperava. Em vez disso, Jesus havia falado em ir a Jerusalém, onde o Filho do Homem sofreria muitas coisas, e até mesmo seria morto. Eles não entendiam. Afinal, eles estavam esperando pelo tempo em que Jesus se estabeleceria como rei - e eles fariam parte de Sua corte real, primeiro na fila para privilégios, posição e honra.
Jesus, porém, não disse nada sobre esse tipo de reino. Ele estava a falar de abnegação e auto-sacrifício. Isto era muito diferente. Isto foi muito difícil. Compreensivelmente, os discípulos começaram a duvidar, e à medida que a sua dúvida aumentava, a sua fé começou a renunciar. Como resultado, eles eram incapazes de expulsar demônios ou curar doenças. Vendo em seus corações, e testemunhando suas dúvidas crescentes, Jesus lhes disse que eles tinham se tornado uma "geração infiel e perversa" (Lucas 9:41). 12
Depois de repreender seus discípulos, Jesus prossegue para curar a criança e devolvê-la ao pai. Mais uma vez, todos os presentes ficam "maravilhados com a majestade de Deus" (Lucas 9:43). Mas Jesus tem outra coisa em mente para os Seus discípulos. Ele quer que eles entendam que discipulado não é apenas realizar grandes milagres e surpreender as multidões. Por isso, "enquanto todos se maravilhavam com todas as coisas que Jesus fez", Jesus tomou os discípulos de lado e disse-lhes: "Deixai que estas palavras vos caiam nos ouvidos" (Lucas 9:43-44). Em outras palavras, o que Jesus está prestes a dizer é algo que Ele realmente quer que eles saibam e entendam, bem antes que isso aconteça. No topo da montanha, uma voz do céu já lhes tinha dito: "Ouçam-no". E agora Jesus está a dizer-lhes a mesma coisa em palavras diferentes. Como Jesus diz: "Deixai que estas palavras vos caiam nos ouvidos."
O que era que Jesus queria dizer-lhes? Que mensagem era tão importante que Ele a prefaciaria com um enunciado tão dramático? Era isto: "O Filho do Homem está prestes a ser entregue nas mãos dos homens" (Lucas 9:44). Ele já lhes tinha contado sobre o Filho do Homem e as provações iminentes - que Ele sofreria muitas coisas, seria rejeitado, morto e ressuscitaria ao terceiro dia (Lucas 9:22). Mas por mais que Ele tentasse transmitir a mensagem, "Eles não entendiam.... Estava escondida deles para que não a percebessem" (Lucas 9:45).
Não era que Jesus lhes estivesse a esconder alguma coisa. Pelo contrário, o que Jesus lhes dizia sobre o Reino de Deus estava tão longe do entendimento deles que era incompreensível para eles. Eles simplesmente não podiam entender que o reino de Deus envolveria abnegação, sofrimento pessoal e até mesmo a morte. Também não entendiam o que Jesus queria dizer com "ressuscitar" ao terceiro dia. Eles ainda não eram capazes de deixar as palavras de Jesus "afundarem em seus ouvidos" e, assim, em suas mentes.
Eventualmente, porém, Jesus abriria gradualmente o entendimento deles. Mas isso levaria tempo.
forte>Aprendizagem para Receber
46. E entrou neles um raciocínio qual deles deveria ser o maior.
47. E Jesus, vendo o raciocínio do coração deles, tomou uma criancinha [e] o pôs de pé sozinho,
48. E disse-lhes: Quem receber este menino em meu nome, a mim me recebe, e quem me receber, recebe aquele que me enviou; porque [quem] for o menor entre todos vós, será grande.
49. E João, respondendo, disse: Mestre, vimos um expulsar demônios em Teu nome, e proibimo-lo, porque não nos segue.
50. E Jesus disse-lhe: Não o proíbas, porque quem não é contra nós é por nós.
É claro que os discípulos ainda tinham muitas lições a aprender. Mesmo quando Jesus lhes fala das provações que o Filho do Homem está prestes a sofrer, a atenção deles está sobre si mesmos e sobre a sua própria glória. Como está escrito: "E entrou neles um raciocínio qual deles deve ser o maior" (Lucas 9:46). O espírito de "raciocínio" que entrou neles descreve a sua descida a níveis inferiores. Eles desceram da montanha agora e estão de volta aos seus antigos caminhos, raciocinando e discutindo sobre quem será o maior entre eles no reino vindouro. 13
A fim de resolver a disputa e substituir seu raciocínio egoísta pela compreensão espiritual, Jesus coloca uma criancinha ao lado de si mesmo, volta-se para os discípulos e diz: "Quem recebe esta criancinha em Meu nome, recebe-Me; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou". Porque aquele que é o menor entre todos vós será grande" (Lucas 9:48).
Mais uma vez, Jesus vira as suas ideias confusas e egocêntricas sobre o que significa ser "grande" de cabeça para baixo. Quando desceram da montanha e não conseguiram curar o menino possuído por demônios, Jesus se referiu a eles como uma geração infiel, "pervertida". O termo "pervertido" significa, muito literalmente, "ser virado para o lado errado", ou colocar as coisas de cabeça para baixo. Ao colocar uma criança ao Seu lado, Jesus se esforça para endireitar a compreensão deles, para colocá-la "do lado certo". Ele quer mostrar-lhes que a grandeza não reside na glória pessoal, mas sim em tornar-se humilde e receptivo - como uma criança. Repare quantas vezes Jesus usa a palavra "recebe" em sua explicação. "Aquele que recebe esta criancinha em Meu nome, Me recebe", diz Jesus. "E quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou" (Lucas 9:48).
A lição é clara. Devemos permitir que ela se afunde em nosso coração, mesmo quando permitimos que as palavras de Jesus se afundem em nossos ouvidos. É tudo uma questão de recepção - e a recepção só pode ocorrer quando as pessoas são humildes, não quando estão inchadas de orgulho ou focadas em alcançar a grandeza pessoal. Nós não ganhamos o céu pelos nossos esforços para sermos grandes. Não se trata de ser rico e famoso, honrado e próspero; trata-se de ser humilde e receptivo, como uma criança. 14
>forte>O espírito de discipulado
Aprender a ser receptivo, então, é a chave para o nosso desenvolvimento espiritual. É uma lição que os discípulos precisariam aprender se quisessem se tornar verdadeiros discípulos. O oposto de ser receptivo, porém, é ser pouco receptivo e inospitaleiro. Nós já vimos a natureza inóspita de Simão, o fariseu. Ele não recebeu Jesus como poderia ter recebido, nem recebeu a mulher que lavou os pés de Jesus (Lucas 7:36-50). É uma parábola sobre os perigos espirituais da exclusão - fechar Deus e os outros para fora das nossas vidas. Ser aberto, receptivo e hospitaleiro é uma das marcas do discipulado. É o oposto de ser de mente fechada, seletiva e exclusiva.
Os discípulos parecem sentir que, como foram escolhidos pessoalmente por Jesus, o seu trabalho é superior ao que é feito por outros. Por exemplo, João diz: "Mestre, vimos alguém expulsar demônios em Teu nome, e proibimo-lo porque não é um de nós" (Lucas 9:49).
Ironicamente, Jesus tinha acabado de repreender os discípulos por sua incapacidade de expulsar demônios. Neste episódio, os discípulos estão proibindo outros - que são obviamente mais bem sucedidos do que eles - de fazê-lo. Aparentemente, os discípulos acreditam que são os únicos qualificados ou comissionados para expulsar demônios em nome de Jesus. Jesus, entretanto, quer que eles saibam que o verdadeiro espírito de discipulado não restringe a prática dos princípios cristãos a um grupo escolhido. Ao contrário, ele reconhece a todos como um discípulo que se concentra no amor ao Senhor e no amor ao próximo, os dois elementos essenciais da fé. Esses dois princípios são o coração e os pulmões de todos os verdadeiros crentes - não importa o quanto eles possam divergir nas práticas rituais ou nas crenças doutrinárias. Portanto, Jesus lhes diz como eles devem tratar a pessoa que está expulsando demônios em Seu nome, e porque eles devem permitir que ele continue: "Não o proíbam", diz Jesus. "Porque aquele que não é contra nós é a nosso favor" (Lucas 9:49). 15
Há muitas crenças, muitas versões do cristianismo e muitas religiões bem intencionadas que encorajam seus adeptos a superar o orgulho, a ganância, a luxúria e a vontade própria. Embora seus rituais e doutrinas possam variar, todos eles estão se esforçando para "expulsar demônios". Portanto, eles deveriam ter permissão para continuar seu trabalho, pois cada um deles, à sua maneira, é "a favor" de Jesus - não contra Ele. Pode-se até dizer que todos eles são "discípulos", não importa qual seja a sua religião, desde que pratiquem a disciplina espiritual e vivam de acordo com os mesmos princípios que Jesus ensina. 16
> forte>Rejeitado pelos samaritanos forte>
51. E aconteceu que, quando os dias se cumpriram por Ele ter sido tomado, Ele fixou o Seu rosto para ir a Jerusalém,
52. E enviou mensageiros perante a Sua cara. E, indo, entraram numa aldeia dos samaritanos para se prepararem para Ele.
53. E não O aceitaram, porque o Seu rosto estava indo para Jerusalém.
54. E quando Seus discípulos, Tiago e João, viram [isto], disseram: Senhor, queres tu que digamos que o fogo desça do céu e os consuma, como Elias fez?
55. Mas virando-se, Ele os repreendeu e disse: "Você não sabe que tipo de espírito você é";
56. Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvar. E foram para outra aldeia.
Como Jesus continua a instruir os Seus discípulos, Ele passa por Samaria. Ele está a caminho de Jerusalém, onde sabe que encontrará uma oposição severa. Como está escrito: "Agora, quando chegou a hora de ser recebido, Ele colocou com firmeza o Seu rosto para ir a Jerusalém" (Lucas 9:53).
A frase "ponha o Seu rosto" chama a atenção para a profecia de Isaías: "Porque o Senhor Deus me ajudará; portanto, não serei desonrado; pus o meu rosto como pedra, e sei que não me envergonharei" (Isaías 50:7). A frase "ponha Meu rosto como pedra" descreve perfeitamente a resolução firme e inabalável com que Jesus aceitou Sua missão, independentemente do sofrimento que Ele irá suportar. Sua fé é firme e inabalável, em contraste com a fé vacilante dos discípulos.
Quando Jesus e Seus discípulos passam por Samaria, Ele envia alguns deles à frente para ver os preparativos - talvez para providenciar comida e alojamento. Mas quando os samaritanos vêem que este é um grupo de judeus a caminho do templo em Jerusalém, eles se recusam a fornecer hospitalidade.
Historicamente, a maioria dos samaritanos acreditava que o templo "real" era no Monte Gerizim e não em Jerusalém. O conflito era antigo, e o fato de Jesus estar indo para Jerusalém servia para reacender a animosidade, fazendo dele e de seus discípulos convidados indesejáveis. Afinal, os samaritanos acreditavam que o Monte Gerizim era o local que o próprio Deus havia escolhido para o estabelecimento do templo santo - não Jerusalém. Portanto, eles teriam ridicularizado qualquer noção de que Jesus e seus discípulos judeus esperariam hospitalidade deles, seus arqui-inimigos.
Este incidente adquire maior interesse quando consideramos as conexões episódicas. Esta história sobre a inhospitalidade dos samaritanos segue imediatamente após dois episódios em que Jesus ensina aos seus discípulos sobre a importância de serem receptivos (Lucas 9:44-48), e sobre ser tolerante quando se trata de diferenças na prática religiosa (Lucas 9:49-50). Neste episódio, no entanto, os papéis são invertidos: Jesus e os seus discípulos experimentam o que significa ser excluído por razões religiosas. Como está escrito: "Mas eles não O receberam, porque o Seu rosto foi posto para a viagem a Jerusalém" (Lucas 9:53).
Desde o início, Jesus tem preparado os seus discípulos para situações como esta. Quando Ele entregou o Sermão da Planície, Ele disse-lhes: "Amai os vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam" (Lucas 6:27); e quando Ele enviou os doze discípulos, disse-lhes: "Quem não vos receber... sacode o próprio pó dos vossos pés" (Lucas 9:5).
Esta poderia ter sido a oportunidade para os discípulos porem em prática o que Jesus lhes tem ensinado. Eles poderiam ter respondido com amor e não com raiva; eles poderiam ter respondido com perdão e não com retaliação. Em vez disso, eles escolheram voltar aos seus velhos padrões. Tiago e João, por exemplo, estão tão perturbados com a rejeição do samaritano que dizem a Jesus: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu e que os consumamos, como Elias fez"? (Lucas 9:54).
É verdade que Elias chamou fogo do céu para destruir aqueles que se lhe opunham (2 Reis 1:2-14), mas Jesus não quer que seja assim entre os Seus discípulos. Eles devem ser governados por um espírito diferente - um espírito de perdão, misericórdia e compaixão. Eles devem amar seus inimigos, não destruí-los. Portanto, Jesus diz a eles: "Não sabem de que espírito são. Porque o Filho do Homem não veio para destruir a alma dos homens, mas para salvá-los" (Lucas 9:55-56).
A referência a Elias traz à mente a cena no topo da montanha quando Pedro sugeriu que eles construíssem três tabernáculos: um para Jesus, um para Moisés e um para Elias. Mas a voz do céu era muito clara. Foi dito aos discípulos que se concentrassem em Jesus. "Ouçam-no", dizia ela. A partir de então, as palavras e ações dos profetas hebreus deixariam de ser sua autoridade final. Eles deveriam colocar sua fé somente em Jesus.
É apropriado então, como este episódio conclui, notar que os discípulos podem finalmente ter decidido "ouvi-lo". Ele tinha-lhes dito para não dar animosidade àqueles que não os quisessem receber, mas sim para "sacudir o pó dos seus pés". Assim, lemos que "eles foram para outra aldeia" (Lucas 9:56).
>forte>Configurar a nossa mão para o arado
57. E aconteceu que, ao entrarem no caminho, um certo Lhe disse: Senhor, eu Te seguirei para onde quer que fores.
58. Disse-lhe Jesus: As raposas têm buracos, e as aves do céu [têm] ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde pôr a cabeça [a sua].
59. E Ele disse a outro: "Segue-me. Mas ele disse: Senhor, permita-me primeiro ir enterrar o meu pai.
60. Jesus, porém, lhe disse: Deixa os mortos sepultar os seus mortos; mas vai tu e prega o reino de Deus.
61. E outro também disse: Eu Te seguirei, Senhor, mas permita-me que eu primeiro me retire dos que estão em minha casa.
62. Mas Jesus disse-lhe: Ninguém tendo posto a mão no arado, e olhando para trás, é adequado para o reino de Deus.
Parece que os discípulos estão começando a aprender algumas lições. Pelo menos eles não vão chamar fogo do céu só porque as pessoas não estão dispostas a oferecer hospitalidade. Mas eles ainda têm um longo caminho a percorrer antes de apreciarem plenamente o que significa tomar a sua cruz diariamente e seguir Jesus. 17
Tudo isto se torna claro no próximo episódio que começa quando uma certa pessoa, talvez um dos discípulos, diz a Jesus: "Senhor, eu Te seguirei para onde quer que vás" (Lucas 9:57). Jesus lembra-lhe que não vai ser fácil. Um discípulo itinerante não terá dinheiro, não terá comida e não terá alojamento. Na verdade, no que diz respeito às comodidades físicas, um discípulo estará em pior situação do que os animais: "As raposas têm buracos, e as aves do ar têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde pôr a cabeça" (Lucas 9:58).
Mais profundamente, Jesus está se referindo à verdade Divina (o "Filho do Homem"), e como ela será rejeitada. A Verdade Divina não terá "onde reclinar sua cabeça". Ao longo dos evangelhos, a frase "Filho do Homem" se refere não só a Jesus, mas também à verdade Divina que Ele veio para ensinar. Isto é o que se entende por "a rejeição do Filho do Homem". 18
Virando-se para outra pessoa, Jesus diz: "Segue-me." A pessoa está disposta, mas diz que primeiro tem de ir enterrar o seu pai, um pedido razoável. A resposta de Jesus é surpreendente: "Deixem os mortos enterrar os mortos", diz-lhe Jesus. "Mas você vai e prega o reino de Deus" (Lucas 9:60).
Esta é outra dessas passagens que parece desnecessariamente severa na carta. Normalmente, não haveria nada de errado com isto. Afinal de contas, o homem simplesmente queria enterrar seu pai, e os mandamentos nos ensinam a "honrar pai e mãe", algo que certamente incluiria um enterro decente. Precisamos, portanto, olhar mais profundamente para entender a mensagem que Jesus está transmitindo.
Quando visto espiritualmente, o termo "pai" neste contexto se refere aos males hereditários que precisamos deixar para trás, os males da vontade própria, arrogância, orgulho, vaidade, ressentimento e autopiedade, para citar apenas alguns. Tudo isso é simbolizado pela palavra "pai" - quando usada em sentido negativo. Isso porque todos herdam traços bons e maus de pais e ancestrais. São esses traços maus que devem ser erradicados e deixados para trás sem cerimônia, se uma pessoa quiser se regenerar e seguir Jesus. Portanto, nesta passagem, os "mortos" que devem ser deixados para trás sem sequer pensar em um "enterro", são aquelas tendências em nós mesmos que não têm vida real neles do Senhor. Mais profundamente, esses traços negativos são todas as formas de amor próprio, interesse próprio, ambição egoísta e as falsas formas de pensar que surgem dessas emoções egocêntricas. Tudo isso deve ser permitido morrer em nós, sem arrependimento ou remorso - sem mesmo um enterro decente.
Por outras palavras, "Deixem os mortos enterrar os mortos." 19
Finalmente, outra pessoa se aproxima de Jesus, talvez outro discípulo, e diz: "Senhor, eu Te seguirei, mas primeiro deixa-me ir e despede-te daqueles que estão em minha casa" (Lucas 9:61). Mais uma vez, o pedido parece bastante razoável. Afinal, podemos imaginar a preocupação e a preocupação que pode causar se uma pessoa simplesmente desaparecesse um dia sem dar qualquer tipo de aviso à sua família. Mas Jesus não está disposto a conceder este pedido. Em vez disso, Ele diz: "Ninguém tendo posto a mão no arado, e olhando para trás, está apto para o reino de Deus" (Lucas 9:62).
“Pôr a mão no arado", marca um novo passo na nossa regeneração. É um símbolo da forma como preparamos nosso coração, como uma boa terra que foi bem torneada e preparada para a semente Divina". Quando "pusemos a mão no arado", fizemos a transição de sermos guiados pela verdade e pela doutrina para um novo estado de ser, no qual somos guiados principalmente pelo amor e pela misericórdia. Realmente, é uma mudança da letra para o espírito dentro da letra, uma mudança de Moisés e Elias para Jesus. Neste novo estado, nossa vida espiritual não se trata mais de "olhar para trás" para questões de fé. Estamos agora em um estado de recepção e ansiosos por uma vida de serviço desinteressado - colocando nossa doutrina em vida e nossa fé em ação, a fim de servir e fazer avançar o Reino de Deus.
Ao ararmos este novo campo, abrindo novos caminhos, continuamos a evitar os males do amor-próprio e, ao fazê-lo, encontramo-nos espontaneamente a estender o amor a todas as pessoas que encontramos. Embora a compreensão da doutrina e a busca da verdade permaneçam importantes para nós, não permitimos que ela nos separe dos outros. O próprio bem, e fazer o bem, tornou-se agora primário. Enquanto permanecermos fiéis a este novo estado, onde o Senhor está trabalhando através de nós, nunca permitiremos que as diferenças doutrinárias nos dividam. A fé que antes era primária e nos levou a entender o amor e a misericórdia agora é secundária. Ser amoroso e misericordioso é agora primário. Nossa mão está posta no arado, e não vamos voltar atrás. 20
Notas de rodapé:
1. Arcana Coelestia 679: "Na Palavra 'reunião' tem referência às coisas que estão na memória de uma pessoa, onde elas foram reunidas. Além disso, a frase "reunidos" refere-se à reunião dos bens e verdades que precisam ser reunidas em uma pessoa antes que a regeneração possa acontecer. De fato, a menos que os bens e as verdades tenham sido reunidos para servir como meio através do qual o Senhor possa fazer Sua obra, uma pessoa não pode ser regenerada". Ver também Arcana Coelestia 2089[2]: "Cada um dos doze discípulos representa um aspecto essencial e primário da fé."
2. Arcana Coelestia 9942[12]: "Aqueles que estão em bens e verdades do Senhor não possuem nada de bom e verdade de si mesmos. Pelo contrário, eles têm toda a verdade e o bem do Senhor.... Portanto, ter "duas túnicas" significa ter a verdade tanto do Senhor como de si mesmo. É por isso que lhes foi permitido ter apenas uma túnica".
3. Arcana Coelestia 249: "O termo 'pó' significa aqueles que não consideram as coisas espirituais e celestiais, mas apenas o que é corpóreo e terreno." Ver também Arcana Coelestia 7418[4]: ""Na Palavra, 'pó' significa o que é humilde."
4. Arcana Coelestia 249: "Porque 'pó' significa focar em coisas que são corporais e terrenas, sem considerar coisas que são espirituais e celestiais, o Senhor disse aos Seus discípulos que se a cidade ou casa em que eles entraram não era digna, eles deveriam 'sacudir o pó de seus pés'." Ver também Arcana Coelestia 3748[1-2]: "Há espíritos infernais que pensam que sabem tudo.... Eles querem raciocinar sobre assuntos espirituais, mesmo que não saibam nem mesmo a primeira coisa sobre esses assuntos. O raciocínio deles é como poeira espalhada onde nada é coerente".
5. Apocalypse Explained 411[2]: "Quando na presença do influxo da luz do céu, que é a verdade divina unida ao bem divino, os maus espíritos são tão atormentados e perplexos que se atiram ao chão... O seu tormento não vem da luz do céu, mas dos males dos seus amores e das falsidades da sua fé". Ver também Arcana Coelestia 7643[10]: "João Baptista representava a Palavra. [Mais especificamente], pela sua comida, como também pela sua roupa que era de cabelo de camelo com uma cinta de couro, ele representava a Palavra no sentido literal".
6. Arcana Coelestia 5360: "A razão 'fome' significa que a ausência de verdade e bem, ou uma desolação, é que o alimento celestial e espiritual consiste em nada mais do que bondade e verdade. Estes são os alimentos com os quais os anjos e os espíritos são alimentados e pelos quais anseiam quando têm fome e sede, e aos quais, portanto, também correspondem os alimentos materiais".
7. Arcana Coelestia 10255: "O número 'cinco' significa alguns, de certa forma, e também tanto quanto é suficiente, e tanto quanto é para uso". Ver também Apocalypse Explained 513[15]: "A palavra 'peixe' significa o conhecimento da verdade e do bem, através do qual a reforma é feita."
8. Apocalypse Explained 548[9]: "Levantar 'doze cestos de fragmentos' significa plenitude, portanto, instrução completa e bênção total." Ver também Arcana Coelestia 2089[2]: "O número 'doze' significa todas as coisas da fé.... Pelos 'doze filhos' de Jacó, e pelas 'doze tribos' nomeadas a partir deles, o mesmo é significado. Isto também se aplica aos 'doze discípulos' do Senhor".
9. Arcana Coelestia 9807[10]: "As declarações de que o Filho do Homem está prestes a sofrer e a ser morto implicam que foi assim que a verdade divina foi tratada e, portanto, como o Senhor foi tratado, já que Ele mesmo era a verdade divina", Ver também Arcana Coelestia 2159: 2: "O Senhor muitas vezes se chama a si mesmo o 'Filho do Homem', e também o 'Filho de Deus'. Pelo 'Filho do Homem' Ele significa a própria verdade, e pelo 'Filho de Deus' o próprio bem".
10. Arcana Coelestia 8153: "O céu não está localizado nas alturas. É onde está o bem do amor, e este reside dentro de uma pessoa, onde quer que essa pessoa esteja". Veja também Arcana Coelestia 9587: "O reino de Deus é o céu tal como existe com uma pessoa; é, portanto, o bem do amor e a verdade da fé."
11. Verdadeira religião cristã 89: "A ordem divina requer que uma pessoa se prepare para a recepção de Deus; e na proporção em que se prepara a si mesmo, Deus entra nessa pessoa como em sua morada e em sua casa. Essa preparação é feita por meio de conhecimentos que respeitam a Deus e às coisas espirituais pertencentes à igreja, ou seja, por meio de inteligência e sabedoria. Pois é uma lei de ordem que na proporção em que alguém se aproxima e se aproxima de Deus (o que deve ser feito como se de si mesmo) Deus se aproxima e se aproxima da pessoa".
12. Apocalypse Explained 815[7]: "O Senhor chamou os discípulos de 'homens de pouca fé' quando eles eram incapazes de fazer milagres em Seu nome, e Ele era incapaz de fazer milagres em Seu próprio país por causa da descrença deles, pela razão de que, embora os discípulos acreditassem que o Senhor era o Messias ou Cristo, também o Filho de Deus, e o profeta do qual estava escrito na Palavra, eles não acreditavam que Ele era Deus Todo-Poderoso, e que Jeová o Pai estava Nele; e, no entanto, até onde acreditaram que Ele era um homem, e não ao mesmo tempo Deus, Seu Divino, ao qual a onipotência pertence, não podia estar presente com os discípulos pela fé.”
13. Arcana Coelestia 977: "Com uma pessoa não regenerada não há vontade, mas em vez de vontade há desejo egoísta, e uma consequente inclinação para todo o mal. Também não há compreensão, mas mero raciocínio".
14. Arcana Coelestia 9039: "O Senhor flui com poder para aqueles que são humildes; mas não para aqueles que estão inchados, porque os primeiros recebem o influxo, mas os segundos o rejeitam".
15. Arcana Coelestia 2385[4]: "Quando a própria verdade é recebida como um princípio, e isto se confirma, como por exemplo que o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo são aquilo sobre o qual repousa toda a Lei, e do qual todos os profetas falam, e que são portanto o essencial de toda doutrina e adoração, a mente seria iluminada por inúmeras coisas na Palavra.... Em tal caso, as heresias seriam dissipadas, e uma igreja surgiria de muitas, não importando o quanto as questões doutrinárias e rituais que fluem dela ou a ela conduzem poderiam diferir.... Então cada pessoa diria, em qualquer doutrina e em qualquer adoração exterior que fosse, 'Este é meu irmão, vejo que ele adora o Senhor, e é um bom homem'".
16. Arcana Coelestia 1799[4]: "No mundo cristão são questões doutrinárias que distinguem as igrejas; e delas se chamam católicos romanos, luteranos e calvinistas, ou reformados e evangélicos, e por outros nomes. É apenas do que é doutrinal que eles são assim chamados. Este nunca seria o caso se eles fizessem do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo o princípio da fé. Os assuntos doutrinários seriam então apenas variedades de opinião a respeito dos mistérios da fé, que o povo verdadeiramente cristão deixaria a todos para que se mantivessem de acordo com a própria consciência, e diria em seus corações que uma pessoa é verdadeiramente cristã quando essa pessoa vive como cristã, isto é, como o Senhor ensina. Assim, de todas as diferentes igrejas seria feita uma só igreja; e todas as dissensões que surgiriam somente da doutrina desapareceriam; sim, todas as centenas de ódio de uns contra os outros seriam dissipadas em um momento, e o reino do Senhor viria sobre a terra".
17. Apocalypse Explained 893: Jesus disse aos seus discípulos: "Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Nessas passagens a "cruz" significa tentações, e "seguir o Senhor" significa reconhecer Seu Divino e cumprir Seus mandamentos. A 'cruz' significa tentações porque os males e as falsidades que se agarram a uma pessoa desde o nascimento infestam e assim atormentam aqueles que são naturais quando estão se tornando espirituais. E como esses males e suas falsidades que infestam e atormentam só podem ser dispersos pelas tentações, as tentações são significadas pela 'cruz'".
18. Doutrina do Senhor 27[2]: "'As raposas têm buracos, e as aves fazem ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde pôr a cabeça'' significa que a Palavra não teria lugar entre elas, e também que não a tinham, porque não O tinham reconhecido."
19. Apocalypse Explained 186[7]: "'Os mortos' significa aqueles que não têm em si mesmos a vida do céu, e consequentemente estão nos males e nas falsidades.... Um dos seus discípulos disse: "Senhor, permite-me que primeiro me vá embora e enterre o meu pai". Jesus disse: 'Segue-me, e deixa os mortos enterrar os mortos'". Veja também Apocalipse Explicado 724[5]: "Quem não pode ver que pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs, também casas e campos, não estão aqui destinados, mas coisas que pertencem a si mesmo, e são chamadas próprias? Para estas coisas uma pessoa deve partir e odiar, se ela deseja adorar ao Senhor e ser Sua discípula.... As coisas que são próprias de uma pessoa são aquelas que são do seu amor, e assim a vida em que nasceu, conseqüentemente são males e falsidades de toda espécie".
20. Arcana Coelestia 5895[5]: "Jesus disse: 'Nenhum homem pondo a mão no arado, mas olhando para trás, está apto para o reino de Deus'.... O significado destas palavras é que uma pessoa governada pelo bem não deve afastar-se dele e recorrer a questões de doutrina relativas à fé.... Portanto, aquele que põe a mão no arado é uma pessoa governada pelo bem; mas 'olhar para trás' significa alguém que então olha para questões de doutrina relativas à fé e, ao fazê-lo, abandona o bem".


